domingo, 8 de agosto de 2010

Recepção cruzada de corticóides

Na postagem anterior do blog, vemos que há uma semelhança estrutural muito grande entre um glicocorticóide e um mineralocorticóide. Por causa disso, os receptores celulares de mineralocorticóides (que estão distribuídos em tecidos bem restritos pelo corpo, como nos rins) possuem grande afinidade com glicocorticóides e, assim, poderia ocorrer uma recepção cruzada sempre que as glândulas adrenais secretassem hidrocortisona; um hormônio só agiria como dois.

Para evitar que isso aconteça, as células receptoras de mineralocorticóides possuem uma enzima chamada 11-β-hidroxiesteróide desidrogenase que transforma os glicocorticóides em metabólitos de baixa afinidade por receptores de mineralocorticóides, inativando-os.

Existem, porém, duas situações principais em que o mecanismo contra a recepção cruzada falha e os glicocorticóides agem (em taxas pequenas) como mineralocorticóides. A primeira é quando há presença abundante de inibidores alostéricos da enzima, como o alcaçuz e a carbenoxolona (derivada da raiz do alcaçuz, utilizada em tratamento contra úlcera). O outro caso é quando há excesso de glicocorticóides, pois as enzimas inativadoras não conseguem converter todas as moléculas de glicocorticóide que chegam à célula na velocidade necessária.

Fonte: RANG, H. P.; DALE, M. M. Farmacologia. 6ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

Edson Luiz T. Duarte

Síntese de corticóides

A síntese de hormônios corticóides é feita através de duas vias metabólicas básicas: a via dos glicocorticóides e a via dos mineralocorticóides, sendo que o precursor fundamental de ambas é o colesterol (assim como dos hormônios sexuais). A via dos glicocorticóides ocorre na zona fasciculada e reticular do córtex adrenal, enquanto a via dos mineralocorticóides ocorre na zona glomerulosa. Na figura ao lado, estão representadas as três vias que têm origem a partir do colesterol. É importante notar que, mesmo após uma molécula de colesterol iniciar a via dos mineralocorticóides, há a possibilidade de ocorrer um desvio e a via continuar como via sintética de glicorticóides; isso pode ocorrer pela conversão de pregnenolona em 17-hidroxipregnenolona ou, numa etapa posterior, pela conversão de progesterona em 17-hidroxiprogesterona.


À esquerda, via dos mineralocorticóides, representando seu produto final principal, a aldosterona. No centro, a via dos glicocorticóides, com formação de hidrocortisona (cortisol), e, à direita, síntese de hormônio sexual.

Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/bookshelf/br.fcgi?book=cmed&part=A12843

Edson Luiz T. Duarte

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Síndrome de Conn


A Síndrome de Conn, também conhecida como hiperaldosteronismo primário, consiste na elevação anormal do hormônio aldosterona e pode corresponder de 5 a 10% dos hipertensos. Suas principais causas são o adenoma adrenal(um tumor benigno) e hiperplasia idiopática adrenal ( espessamento da glândula adrenal).

A principal função desse hormônio consiste na retenção de líquidos e de íons sódio,ele também induz a excreção de íons potássio pelos rins.Por consequência das ações do aldosterona, a atuação excessiva dele traz sintomas como pressão alta, dores de cabeça, caibras musculares e fraqueza muscular.

Geralmente está associado aos pacientes que possuem hipertensão de mais difícil controle.

Todo hipertenso que apresenta hipocalemia espontânea (baixas concentrações sanguíneas de potássio) ou provocada por diuréticos ou apresenta tumor abdominal ou até resistência aos tratamentos usuais devem ser examinados para essa síndrome.

O tratamento consiste em administração de medicamentos nos casos de hiperplasia idiopática adrenal e na retirada cirúrgica nos casos de adenomas adrenais.

Como as complicações da hipertensão são diversas,segue um vídeo resumindo os possíveis efeitos da hipertensão no corpo.











Bibliografia:






Postado por Vinícius Luz





sexta-feira, 30 de julho de 2010

Tipos de Tireoidite


A tireoidite é um conjunto de doenças inflamatórias que afetam a glândula tireóide. Em alguns casos, o paciente sente dores, mas em outros são os sintomas básicos do hipertireoidismo ou do hipotireoidismo. As tireoidites são:

  • Tireoidite subaguda (ou tireoidite de Quervain): Não tem causa conhecida e resulta em um aumento doloroso da glândula e na liberação de grandes quantidades de hormônio no sangue.
  • Tireoidite pós-parto: Cerca de 5% a 10% das mulheres manifestam hipertireoidismo leve a moderado alguns meses após o parto. Nesses casos, o distúrbio costuma durar de um a dois meses e, freqüentemente, é seguido por vários meses de hipotireoidismo antes do organismo se normalizar espontaneamente. Entretanto, em alguns casos, a tireóide não se recupera, e o hipotireoidismo se torna permanente, sendo necessária a reposição hormonal ao longo da vida.
  • Tireoidite silenciosa: O hipertireoidismo transitório pode ser causado por uma tireoidite silenciosa, uma condição que parece semelhante à tireoidite pós-parto, mas não está relacionada à gestação e não é acompanhada de dor na glândula.
  • Tiroidite crônica (ou Tireoidite de Hashimoto): É uma moléstia auto-imune com a presença de auto-anticorpos que destroem o tecido tireoidiano. As manifestações da Tireoidite de Hashimoto são extremamente variáveis, podendo ser do tipo hipo, hiper ou eutireoidismo. O principal sintoma é a presença de um bócio indolor, que pode não aparecer no estágio avançado da doença.
  • Tiroidite fibrótica (ou Tireoidite de Riedel): Distúrbio fibro-inflamatório raro que pode causar hipotireoidismo. As lesões causadas pela tiroidite fibrótica podem piorar de forma lenta e progressiva se não forem tratadas. Em alguns casos, o tecido da tireóide pode ser totalmente destruído. Pacientes com este mal costumam sentir falta de ar, sensação de sufocamento e disfagia.


Texto extraído do site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (http://www.crescimento.org.br/tireoidite/)


Postado por Romulo Alves

Moléstias associadas à carência crônica de iodo


Fundamentalmente, a glândula tiróide, face à carência de iodo, se adapta por incremento da captação deste halogênio, aumenta a sua massa glandular (bócio), induz secreção preferencial de T3 e eleva a síntese e liberação de TSH. A iodúria, mensura o nível de iodo na urina, permite avaliação quantitativa do grau de carência iódica. O cretinismo endêmico é síndrome neurológica e endócrina que conduz o indivíduo a quadro severo de rebaixamento mental e surdo-mudez. No Brasil, as moléstias associadas à carência de iodo foram sempre avaliadas por inquéritos nacionais em escolares. A correção da deficiência de iodo se faz pela adição de iodato de potássio ao sal de consumo humano. Várias leis e decretos foram elaborados tentando aperfeiçoar o sistema universal de iodação do sal, que, mais recentemente, foi aprimorado e tornou-se mais eficiente em propiciar iodo a toda população brasileira.



Quando as necessidades mínimas de iodo não são atingidas no dia-a-dia em determinado segmento populacional, podem surgir várias anormalidades funcionais, particularmente atraso no desenvolvimento pondo-estatural. Entre as mais comuns estão a alteração funcional da tiróide (com queda de T4 sérico e elevação do TSH), o aumento da glândula tiróide, inicialmente difuso, que tende a progredir para nodular se a carência iódica permanecer crônica. Este fenômeno é denominado bócio endêmico. Embora seja facilmente visível à distância, o bócio é um aspecto de menor conseqüência médica para o indivíduo. Mais importante é o retardo mental, que atinge tanto o feto como o recém-nascido, prolongando-se pela fase escolar, adolescência e idade adulta, levando as crianças a terem baixo rendimento escolar, dificuldade de adaptação social, incapacidade relativa de trabalho na vida adulta e mesmo sérios problemas cognitivos. Nota-se, ainda, a queda da fertilidade da população feminina jovem, o aumento da mortalidade perinatal e da mortalidade infantil. Em muitas áreas endêmicas, notou-se hipotiroidismo na adolescência com queda do desenvolvimento pondo-estatural, levando ao nanismo . Todas estas complicações e morbidades associadas foram agrupadas sob a denominação de Moléstias Associadas à Carência de Iodo (MACI) (em inglês: Iodine Deficiency Disorders); são um sério obstáculo ao desenvolvimento social, econômico e mental da população que se encontra em risco, representando problema de saúde pública (1-5). Estima-se que 1571 milhões de pessoas em 118 países estejam, atualmente, em carência iódica de maior ou menor grau .









Referências:

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/hipertireoidismo/bocio.php

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302004000100007&lang=pt

Postado por Romulo Alves





quarta-feira, 28 de julho de 2010

Síndrome de Cushing


A síndrome de Cushing consiste em um conjunto de sinais e sintomas provocados pelo excesso do hormonio cortisona (produzido na glândula supra-renal).Esse excesso pode ocorrer devido ao abuso de medicamentos corticóides ou devido à produção exagerada pelo corpo.

Sua maior frequência é vista no sexo feminino,como também é maior sua incidência em populações de alto risco, sendo estimado,por exemplo, que em 2 a 5% dos doentes com diabetes melitus, especialmente aqueles com obesidade e hipertensão arterial, apresentem síndrome de cushing.

O diagnóstico da síndrome de cushing é muitas vezes complicado e desafiador, e geralmente é feito com atraso de 3 a 5 anos,o que demonstra essa real dificuldade.O diagnóstico apresenta grande importância para o paciente,pois a síndrome de Cushing causa complicações metabólicas e cardiovasculares.

Os principais sintomas são: aumento de peso, com deposição da gordura no tronco e pescoço,também havendo deposição na região malar ("maçãs do rosto"),afilamento de braços e pernas com diminuição muscular e fraqueza muscular associada a exercícios como caminhar e subir escada, afinamento da pele,que propicia a formação de hematomas, fraqueza, cansaço fácil, nervosismo, insônia, surgimento de pêlos,desenvolvimento de diabetes e hipertensão arterial, estrias de cor avermelhada e violeta, pedras nos rins, osteoporose.

O seu tratamento consiste em dois tipos: Caso a síndrome seja relacionada ao uso de medicamentos, é feita a retirada gradual do medicamento, sendo necessária às vezes a modificação do mesmo por outros medicamentos mais naturais. Caso a síndrome seja relacionada à produção corporal excessiva, procura-se cirurgicamente diminuir essa produção, para os parâmetros normais de síntese desse hormonio.


Referências:



Postado por: Vinícius Luz

Doença de Addison


Embora possua diversos nomes como: insuficiência adrenal, hipofunção adrenocortical, insuficiência adrenocortical crônica, o seu nome mais conhecido é o de doença de Addison.Essa doença consiste na redução dos niveis de cortisol aldoesterona e esteróides sexuais, e consequentemente causando aumento do hormônio adrenocórticotrófico, que é relevante para identificação da doença.

Geralmente é contraída por dano a camada externa da glândula conhecida como adrenal (o córtex adrenal).Na maioria dos casos a lesão é causada por ações auto imunes e as outras estão associadas a infecções fúngicas, bacterianas, virais e metástases.Sabe-se que no Brasil 75% dos casos são causados pela tuberculose e pela paracoccidiomicose (atuação fúngica).

Seu quadro clínico é caracterizado por cansaço, fraqueza, avidez por sal, irritabilidade, depressão, tonturas, perda de peso,dores musculares articulares e abdominal, diarréia, hipotensão arterial, hipoglicemia em jejum e hiperpigmentação cutâneo-mucosa.

O tratamento consiste na reposição com córticoesteróides que controlará os sintomas da doença de Addison,porém deverá ser utilizada por toda a vida.Em períodos de estress,deve-se aumentar a quantidade de medicamento,podendo em alguns casos de estresse haver a diminuição drástica de cortisol no corpo (crise adrenal).Nessa situação, deve-se aplicar imediatamente uma injeção intravenosa ou intramuscular de hidrocortisona. A utilização adequada desse tratamento permite à pessoa com essa doença levar uma vida normal.

Referências:
www.fu.usp.br/revistas/rpg/EDICOES/RPG-2_17_653.pdf
adam.sertaoggi.com.br/encyclopedia/ency/article/000378trt.htm
200.189.113.52/vigiepi/boletim/inverno_2001/pcm_sesa.htm

Postado por: Vinícius Luz